Powered By Blogger

segunda-feira, 13 de abril de 2020

CHEIRO DE CHUVA

(Foto de Nina Solyukova/Olhares)
 
Chove...
Daqui dá pra sentir o cheiro do asfalto molhado
Da terra molhada...
Dos telhados mohados...
Uma brisa semi morna sopra o cheiro da chuva
Nesta noite gris de outono.
Nada resta.
Só o cheiro inconfundível da chuva
Que me reconforta e de certa forma me acolhe nesta solidão que me serve de exílio.
É bom, às vezes, estar só, mas é ruim ser sozinho.
Sinto-me como um planeta rodeado de luas que me orbitam, mas jamais me habitam...
Como as pessoas que conheço, mas desconhecem o que sinto.
Chove...
Dá pra sentir o cheiro do concreto molhado...
Dos meio fios molhados...
Das calçadas molhadas...
Das lajes onde a chuva jaz retida...
Como meu coração é uma laje... Cheio de poças de água da chuva.
Chuva que não pára, nem mesmo enquanto, aqui sozinho
Choro...
 

João C. Lima

sábado, 11 de abril de 2020

ELA

Ela tem surgido em meus sonhos
Com seus cabelos escuros e espessos,
Com sua pele alva e macia
Com seus olhos que brilham
Quando ela alegremente me sorri...
Ela me fala em tantas línguas, mas é em pensamento que eu a escuto
Tem as mãos delicadas, e os dedos de pianista
Gesticula como se fosse uma maestrina a reger toda atenção que dedico a ela.
Me sinto assim... Acolhido em seu colo, entre seus pequenos seios
Junto ao seu corpo quente e delgado, onde me aninho, sentindo seu coração pulsar dentro do meu peito...
Junto a ela me sinto seguro.
E me sinto feliz como jamais me senti um dia...
De repente desperto... Em minha cama vazia...
Procuro por ela, mas ela não está...
Tento dormir de novo e recuperar o sono e o sonho que sem querer perdi, mas eu não consigo.
Uma frustração vem num crescer dentro de mim...
Mas no fundo sei que ela está lá em algum lugar secreto do meu sonho, esperando por mim.
Passo o dia, as horas angustiado, louco para que chegue de novo a hora de dormir.
Para, então num sono profundo poder reencontrá-la e ficar ali junto a ela... Em silêncio.
Ouvindo sua voz melodiosa,
Acompanhando a delicadeza de seus gestos,
A sensação cálida do seu carinho...
Essa mulher misteriosa, que tem habitado meus sonhos
Roubado meu sono,
Revirado meu sossego,
Atiçado meu desejo
E preenchido meu apaixonado coração de algo que há muito não sentia...
Um puro e simples, Amor.

João C. Lima

domingo, 15 de abril de 2018

VELHA HISTÓRIA DE AMAR...

Me escondo em seu corpo
Em suas carnes úmidas, semimorto
E deslizo pelo suor dos poros seus
Me agarro nos seus lábios
Que me sussurram dizeres pouco sábios
E que me levaram à brevidade do adeus...

Me embaraço em seus delicados pelos
Nos finos fios dos seus cabelos
Ou em outros muito mais íntimos
Escalo louco as montanhas dos seus seios
Exploro seu corpo pelos meus meios
Com a fúria desses desejos tão ínfimos...

Me deixo hipnotizar pelos seus olhos
Como num por do Sol em Abrolhos
Sinto sua brisa sutilmente me levar
Na cadência do seu respirar ofegante
Que a volúpia efervescente desse instante
Faz essa lava viva dos nossos corpos jorrar...

Mas é nos seus lábios que perco o caminho
Eu que já caminhei por aí tão sozinho
Até sua boca a minha boca encontrar
Neste nosso tão pessoal universo
Somos em relação ao mundo um reverso
Nessa nossa velha história de amar...


João Carlos L.









domingo, 13 de novembro de 2016

PRO AMOR RECOMEÇAR...

E vai o coração de novo se afogando em emoções
A alma inerte implora e pede socorro
Nesse manancial incontrolável de sensações
Sinto que lentamente morro...

Desfragmentam-se em mim tantos sentimentos
E sem saber porque caminho contra a luz
No peito acelera alucinantes batimentos
Desse sentir que minha alma seduz...

E vai o coração de novo se afogando em ilusões
Vai parando lentamente de bater sem se fazer notar
Na cabeça e no corpo inerte a mercê de tantas depressões

Sem saber quando ou onde quer chegar...
O coração se desmancha como as nuvens nas monções
E sente que é chegada a hora do amor recomeçar...


João Carlos L.


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

SOLANGE...

Há um mistério em seus orientais traços
E no jeito silencioso e furtivo do seu olhar
Seu sorriso como a desatar, da dor, contidos laços
Ou o ruflar de asas que vem da sutileza do seu caminhar...

A sonoridade aveludada da sua voz
Traz à tona antigos desejos, conflitos e paixões...
Sua presença serena oculta uma fera feroz
Que passa da paz à guerra no debulhar das emoções...

Tantas são as sensações que seu ser assim exala
Ao místico vento que as tatuagens em sua clara pele tange
Da tristeza ao prazer, tudo em si, por si, se iguala

Muito além que as delgadas pétalas da sakura flor abrange ...
Do turbilhão de sentimentos que seu coração embala
Transbordam neste mar de amor chamado Solange...


 João Carlos L.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

LÁGRIMAS...

Lágrimas
Às vezes regam a flor da tristeza
E também a semente da alegria
Lágrimas
Encharcam o coração de nobreza
Ou o espírito de euforia

Lágrimas
Formam sinuosas trilhas no rosto
No choro de uma presente saudade
Lágrimas
Ao tocar os lábios tem o salubre gosto
Da prisão ou da liberdade...

Lágrimas
Marcam a aflição de um desejo
Ou do gozo, o lúdico prazer
Lágrimas
Derramadas num último beijo
Ou por alguém que acabamos de perder...

Lágrimas
São como rios carregados de sensações
Que correm para um outro oculto mar
Lágrimas
Nas lembranças que trazem as canções
Ou neste meu afã irresistível de viajar...

Lágrimas
Que derramo quando lembro dos meus pais
Que se foram sem eu lhes pedir perdão
Lágrimas
Que vem tanto dos sorrisos, quanto dos ais
Deste peito inundado de emoção...


João Carlos L.




segunda-feira, 5 de setembro de 2016

MADRUGADA SEM SONO...

É soturna a madrugada...
O vento sopra e o ar esfria
Ouço o farfalhar das folhas na calçada
Enquanto a Lua em forma de foice tudo espia
Sons aleatórios sustam meu sono
No breu da noite, corpo e abandono...

Abro a janela e me invade o nada
O frio arrepia e incomoda meu respirar
Sombras dançam sob a luz da estrela pálida
E ouço passos distantes a caminhar...
Algo me dói no peito num sentir tão tarde
Talvez o nome dessa dor seja saudade...

Vejo fantasmas que dançam na esquina
Sob os faróis dos carros em movimento
O catador de lixo em sua triste sina
De tirar das sobras dos outros o seu provento
Lanço meu olhar além do que o pensar alcança
Sob a luz mortiça de minha tosca esperança...

Meus olhos tremem quando o sono de novo chama
E meu o corpo cansado reclama repouso
Deito lentamente no altar de minha cama
E de lutar contra Morfeu sequer eu ouso
Mas fechar as pálpebras se torna uma tentativa vã
Pois a claridade do Sol me avisa, que já é de manhã...


João Carlos L.