Powered By Blogger

domingo, 10 de abril de 2022

RENASCENTE...


Das cinzas resgatei meu coração
Tão dorido de infrutíferas paixões
O entreguei por inteiro aos fervores da emoção
E às tempestades repentinas das seduções...

Saí em busca do verdadeiro amor, então
Com minha alma desgarrada e perdida em inflexões
Buscando uma luz em minha própria escuridão
Tentando alcançar do sentimento as dimensões...

E tantas vezes me encontrei desencontrado de mim
Vendo tanto sentir sem sentido à minha frente
Caminhando quase sempre à beira do que for fim...

Querendo viver um jeito de amar independente
Ansioso espero por alguém que traga enfim
Para toda vida, um amor renascente...



João C. Lima.

domingo, 12 de dezembro de 2021

UM RENASCER DE AMOR...

Um amor nobre, tão doce e sereno
Que venha num vôo suave resgatar meu coração
Um amor tão doce e sereno, pleno
Pra vencer a vilania da tristeza e da solidão...

Um amor sutil, cheio de prazer e delicadeza
Que venha espalhando toda sua paixão ao vento
Um amor prazeroso e delicado, incontido na sutileza
Como do mar as ondas em seu contínuo movimento...

Um amor que venha minha alma rejuvenescer 
Eu que já vivi tantos sonhos e pesadelos de amor
Decidi que não quero ver o meu coração entristecer

Nem cultivar ou reflorir em meu peito jardins de dor
Ver dentro de mim o amor radiante renascer
Como um Sol que nunca mais vai se por...



João C. Lima.

domingo, 5 de dezembro de 2021

MOÇA DO CERRADO...

Quem é ela, que sem perceber faz meu coração acelerar?
Quando chega com sua doce e agreste beleza
Espalhando uma tímida sensualidade no ar
Seus cabelos soltos a se confundirem com a Natureza...

E seus olhos castanhos lagos onde certamente vou me afogar
Ou na sua pele de ouro morena, da mistura de raças toda riqueza
A seda dos seus rubros lábios que desejo com os meus tocar
Unindo o meu corpo ao seu, sem qualquer sutileza...

Quem é ela, que parece estar por onde passo, em todo lugar?
Eu que caminhava tão sem destino, para esse planalto fui destinado
Sem saber onde meus sentimentos iam por assim aportar...

Quando dei por mim, por seus encantos me vi encantado
Eu que a tanto tempo tenho me privado de com um amor sonhar
Sinto agora meu coração entrelaçado ao dessa moça do cerrado...



João C. Lima.

domingo, 19 de setembro de 2021

ASAS DA SOLIDÃO...

Nesta nebulosa madrugada...
Ouvi de asas um ruflar
Quando na varanda assombreada
A solidão serena veio pousar...

A Lua leitosa e amarelada
Entre nuvens noturnas a se esgueirar
Enquanto na varanda anuviada
A solidão silenciosa veio espiar...

Colhendo lágrimas do meu rosto 
Que escorreram cristalinas nesse chorar
Sentindo na boca o amargo gosto

De quando a tristeza vem me beijar
Transformando o viver em algo tosco
Com suas escuras asas vem me abraçar...



João C. Lima.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

MESMO SOB A MÁSCARA(SERENA VOLÚPIA)...

Mesmo sob a máscara, pude perceber seu sorriso
Ensolarando ainda mais esse dia tão solar
No brilho dos seus olhos nuances claras do paraíso
Num olhar tão claro e profundo quanto o mais claro e profundo mar...

Mesmo sob a máscara pude sonhar seus lábios perfeitos
Seus dentes brancos como se fossem caiados cercadinhos
A alvez da sua pele espalhando pelo ar coloridos efeitos
Enquanto suavemente a brisa toca, seus dourados cachinhos...

Mesmo sob a máscara pude sentir seu hálito de canela e avelã
E desejei o doce sussurrar da sua voz a preencher meus ouvidos
Dessa moça que se confunde sutilmente com a brancura da manhã...

Mesmo sob a máscara quero seus beijos sendo pelos meus acolhidos
Quando em delírios me deixo intimamente seduzir nesse afã
Mascarada paixão atiçando com serena volúpia meus sentimentos contidos...



João C. Lima.

domingo, 22 de agosto de 2021

PLANALTO...

A grama queimada crepita sob o Sol branco e cáusticante
Um vento que vem e sopra num misto de quente e frio
Nas edificações ao redor um tom gélido e exuberante
E meu coração que chora na imensidão desse vazio...

Um mendigo fuma crack deitado na escadaria íngrime e infinita
Enquanto um carcará dança desengonçado sobre os telhados
Meu olhar se desvia furtivo ao passar de uma moça bonita
E no asfalto escuro automóveis cruzam assim desembestados...

O ar de tão seco racha os lábios e ofende minhas narinas
Mas esse vazio das ruas é que me deixa incomodado e aturdido
Nessa cidade sem mar, morros, botecos ou esquinas...

Sigo aqui tão solitário quanto perdido...
Cumprindo sob os olhos de Ogum minhas tantas sinas
Pois mesmo quando derrotado, nunca me dou por vencido...



João C. Lima.

domingo, 15 de agosto de 2021

LONGE DA MENINA QUE NA FOTO ME SORRIA...

Aqui onde a escuridão da noite chega vadia
Enquanto no céu a Lua pálida flutua fria
Nesta estranha e distante Brasília
Longe da menina que na foto me sorria...

Aqui onde o frio da madrugada invade a rua vazia
Enquanto no céu o brilho da última estrela se perdia
Nesta estranha e distante Brasília
Longe da menina que na foto me sorria...

Aqui onde a claridade da manhã chega assim sem alegria
Enquanto o Sol desperta em meio a monotonia
Nesta estranha e distante Brasília

Aqui onde a solidão em meu coração faz moradia
Distante de onde venho e sem estar onde queria
Longe da menina que na foto me sorria...


João C. Lima.