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domingo, 27 de março de 2016

ANDO ASSIM...

Ando assim, muito cansado
Dessas conflituosas pelejas
Dessas guerras nada santas
De tentar entender o que desejas...

Ando assim, muito calado
Dessas palavras sem sentido
Dessas batalhas já perdidas
De falar sem ser ouvido...

Ando assim, muito sombrio
Dessas sombras quase vivas
Dessas trevas permanentes
De penumbras tão altivas...

Ando assim, muito estressado
Dessas pressões do dia a dia
Dessas discussões sem fundamento
De viver sem alegria...

Ando assim, muito perdido
Dessas rotas sem rumo
Dessas vias sem destino
De estradas onde sumo...

Ando assim, muito triste
Dessas sensações descompensadas
Dessas tardes tão sofridas
De ver que tudo é quase nada...

Ando assim, muito sentido
Dessas paixões cheias de dor
Dessas noites sem romance
De morrer sem seu amor...


João Carlos L.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

MEU SILÊNCIO...


Silêncio...
Na maioria das vezes adoro o silêncio...
Quando não ouço o alarido das ruas infernais
Fecho os olhos e procuro ouvir o silêncio
E o som mudo da paz...

Gosto de ficar as vezes assim, em silêncio
Em meu canto, calado, pensando em nada
Evasivo, alheio ao mundo, a turba
Percorrendo mentalmente minha própria estrada...

Busco dentro de mim o silêncio da alma
Ou do meu anjo, que na noite me olha e nada diz
Mas ouço na noite profunda, o ruflar de suas asas
Levando para longe os perigos por um triz...

Fico olhando em silêncio o sono de minha filha
Ou da minha mulher amada
E silencio no peito a dor de futuras saudades
Sob o céu de uma noite enluarada...

Faço silêncio...
Enquanto respiro... respiro... E inspiro...
Tentando encontrar dentro o que não sei
Enquanto inspiro... inspiro... E respiro...

Fecho os olhos, querendo ouvir o silêncio...
E nele aquilo que de mim se perdeu
Me aprofundo nesse meu outro mundo
Um silêncio que seja só meu...


João Carlos L.







terça-feira, 28 de outubro de 2014

AMOR, TERNA FERIDA... DAQUELA QUE NUNCA SARA.

Amor, terna ferida
Daquela que nunca sara
Dor de uma cura perdida
Que remédio algum repara...
 
E quanto mais se faz doída
Quem sente não se separa
Feito alma sem corpo moída
Quando diante da morte depara!
 
Deixa-se sangrar nessa lida
A nada essa hemorragia compara
Como a mente do suicida
Ou do pervertido a tara!
 
E se faz tão e quão renhida
Como do bambu flexível vara
A curvar-se pela vida
De forma subitamente rara
 
É feito terra desconhecida
Que nem todo coração encara
Como um venenoso herbicida
Matando do sentir, flor mais cara...
 
Força que transcende, incontida
Trem que em estação alguma para
Passagem no tempo, só de ida
Que em infinitos trilhos dispara!
 
Em todo ser se faz sentida
Onde nem a razão se ampara
Aos céus do prazer é impelida
E Deus de frente encara!
 
Amor, terna ferida
Daquela que nunca sara...
 
 
Beijos e abraços enfeitiçados

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

SEUS DEDOS...


 Gosto de sentir assim seus delicados dedos
Entre os ásperos dedos da minha mão
Como que a espantar súbitos medos
Massageando meu ego e coração...
 
Preciso sentir assim seus ágeis dedos
A dançar entre as linhas da minha mão
Como que a desvendar meus obscuros segredos...
Revelando as nuances dessa terna paixão
 
Quero sentir assim seus inquietos dedos
Fazendo cócegas no dorso de minha mão
Como que a ensaiar estranhos enredos
Coisas que pensei ter vivido em uma outra estação...
 
Busco sentir esses seus finos dedos
Deslizando pelos contornos rudes de minha mão
Resgatando meu ser  como um brinquedo
Dos abismos perpétuos da solidão...
 
 
 
Beijos e abraços enfeitiçados.
 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O AMOR NAS PEQUENAS COISAS...


O amor nas pequenas coisas se reconhece
E esse delicado ritual obedece
Na sutileza única de ser
Não necessita de grandezas mitológicas
Nem de concessões vãs ideológicas
Bastando sentimento ter...

O amor se ramifica pelas veias
Trançando quem ama em suas teias
Onde se pode eternamente preso viver
No detalhe tão rude quanto simplório
Onde o querer se faz notório
Onde se pode na felicidade morrer...

O amor nas pequenas coisas se apresenta
E nas suntuosidades se ausenta
Como a fugir do seu próprio destino
Porque o amor é grande em si e sabe
Mas dentro do coração todo ele cabe
Transformando um homem em um menino...

O amor se apodera de tudo que toca
E ondas de prazer pela alma provoca
Como se fosse um grande e mítico mar
Que num tsunami de volúpia tudo arrasta
E qualquer ameaça de dor ele afasta
Deixando o sublime prazer no lugar...

O amor nas pequenas coisas se sente
No sorriso, num olhar, assim de repente!
No toque das mãos ou dos lábios de alguém
No calor do abraço e na aderência nua dos corpos a dois
No estar-se junto, sem pensar no que virá depois
No sexo, como um todo, como um bem...


Beijos e abraços enfeitiçados.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

CINQUENTA E UM ANOS...

E vão se contando os anos... Os tempos...
Cada instante vivido de forma intensa.
Ou quase...
Vendo e revendo posturas, ideias, opiniões...
Acreditando, mesmo quando tudo parece dizer que não...
E vou testando e fortalecendo minha fé a cada dia
Os Orixás me falam através dos sonhos, das pessoas, dos acontecimentos...
Dos búzios ou das cartas do tarô... Ou mesmo pessoalmente.
Quando eles me pregam aquelas surpresas aparecendo do nada
No meio da noite ou a qualquer hora do dia... rs
Ah, que bom tê-los aqui junto de mim.
E o tempo tem corrido tanto ao meu redor, ao redor do mundo
Das pessoas que vão e vem
E eu ali vendo tudo isso, como uma estação de trens
As sinto ir e vir, passando, ficando e indo de novo para um outro lugar
Um lugar além...
Foram-se meus pais, bons amigos, pessoas que admirei, que me foram importantes...
E ao mesmo tempo outras pessoas vieram, chegaram, ficaram, se foram
E muitas ainda estão, aqui próximo, junto ou bem perto, ao alcance do olhar, do coração...
Mas o tempo passa por mim, ou eu passo pelo tempo?
Ambos... Passamos e repassamos um pelo outro...
Nas rugas e cabelos brancos, nas lições que jamais esqueci
Nas pessoas que me ensinaram sem saber
No que ensinei sem pretender ou aprendi sem atinar...

Tantas imagens, paisagens, cidades, lugares já vi
E muito mais quero ver nos próximos anos
Que Oxalá me dê a condição de continuar ainda por muito tempo
Driblando doenças, epidemias, assaltos, sequestros, balas perdidas
Vencendo as diversidades, os adversários, os preconceitos, os medos
A falsidade reinante... A estupidez predominante... A falsa moral...
E aqueles que se acham e nada tem além disso... Vazios.
A caminhada é longa, ainda, eu sei
Interminável caminhada em busca do conhecimento, da sabedoria, da espiritualidade...
Da superação, da contemplação, da satisfação e da alegria... Única de ser e de estar.

Hoje completo, cinquenta e um anos...
Quando criança nem imaginava ser tão "velho"
Hoje nunca me senti tão "jovem"
E pronto para viver atentamente os próximos anos
E espero que tão ricos quanto os que até agora vivi...
E tão afortunados quanto eu merecer que sejam...
E hão de ser!

Hoje completo, cinquenta e um anos...
Cinquenta e uma vidas...
Cinquenta e uma luas.
Olhando o futuro de frente...
Cuidando com carinho do presente...
E jamais esquecendo das lições do passado...
Para não repetir os erros... Para reafirmar os acertos...
E sentir pulsar nas veias... No coração e alma
Muitos caminhos a serem percorridos
E muitos anos a serem orgasticamente vividos...
Com Amor, Força, Prazer e Fé!
Amém!


Beijos e abraços enfeitiçados.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

NAMORADAMANTE...


E aqui me encontro, diante do poder do seu olhar
Dessa luz única, que vem me enfeitiçar
Submisso estou e sei que sempre fico
Quando diante de ti, assim, preso voluntário sou
Em meio a esse sentimento tão rico.

E quero em seus braços quentes ficar
Aninhar meu corpo pra nunca mais separar
Nesse seu corpo que me acolhe e seduz
Nas noites frias e nas manhãs quentes assim
A paixão e o desejo, eu sei, nos conduz
Por terras e eras sem fim...

E me derreto ao toque dos seus lábios ardentes
Quando nos enroscamos como duas serpentes
Naqueles momentos que não sabemos quem é quem
Vamos assim além do que esse querer nos permite
Ou talvez muito mais além...
Onde o amor não encontre limite.

E vem ao vento seu perfume puro e natural
Me jogando do início a um suposto final
Muito além do que um dia  fui e sou agora
Esse perdido poeta dos amores delirante
Que se entrega sem medo a paixão que o devora
Nesse seu abraço quente, minha namoradamante...


Beijos e abraços enfeitiçados